segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Perante a morte

Certo dia, o homem se levanta e vai até a mesa do café. Todos se servem mas ninguém o serve. Ignoram-no.
Magoado, ele se dirige ao escritório e descobre, contrariado, que no seu gabinete tudo foi mudado: a placa na porta tem outro nome. A mesa, as cadeiras, os papéis, tudo está disposto de forma diversa.
O homem fala, exige, questiona. Mas ninguém o ouve, nem lhe dá atenção.
Então ele retorna para casa. Verifica que os livros que tanto preza, verdadeiras preciosidades, estão empilhados no chão, alguns em caixas, como à espera de serem despachados para algum lugar.
Novamente ele pergunta, interroga, mas as pessoas o ignoram.
Estas cenas ocorrem a muitas pessoas, todos os dias.
Surpreendidas pela morte, em plena atividade, guardam a impressão de prosseguirem no corpo de carne. Não se dão conta de que realizaram a viagem para o mundo espiritual e que vivem sim, mas em outra dimensão, em um corpo diferente.
E por que isso ocorre com tanta frequência?
Porque, de modo geral, não nos preparamos para o transe da morte.
Tratamos a morte como uma irrealidade, algo distante, que atingirá os outros, não a nós, nem os nossos amores.
Alguns lhe temos verdadeiro pavor e sequer mencionamos a palavra.
Quando alguém levemente se refere ao assunto, de imediato contestamos que é cedo. A morte é para os doentes terminais, os idosos dependentes.
Contudo, a morte é lei natural. A todos atinge, sem exceção. Lei Divina, objetiva a evolução, através da transformação das formas.
Importante que nos preparemos para recebê-la com dignidade quando nos chegar, ou vier tomar de assalto os nossos afetos.
Aprendamos a encará-la como algo que, certamente, nos chegará um dia. Ninguém, em nível material, é eterno.
Somente o Espírito imortal a tudo sobrevive e, transposto o portal da tumba, se prepara para o retorno em novo corpo, em outra roupagem, em nova etapa reencarnatória.
Em essência, morte é vida, pois o que perece é somente a carne, sobrevivendo vitorioso o Espírito.
Não é castigo, mas abençoada oportunidade de aprendizado, onde as emoções são testadas, a fé e a perseverança lançam balizas profundas no ser que amadurece, aos embates da dor da separação dos seus afazeres e dos seus amores.
Sábio é aquele que vive cada dia como se fosse o único, o que equivale a dizer que realiza tudo que possa e, da melhor forma, como se outro dia não houvesse.
Mas quando o outro dia chega, tudo recomeça com a mesma disposição de aproveitamento da chance inigualável de mais um dia na carne.
*   *   *
Começa-se a morrer desde que se renasce na carne.
A morte pode ser considerada como um momento de prestação de contas, de exame das lições aprendidas e realizadas durante a vida física.
A morte não apaga a memória, nem os sentimentos.
Portanto, tanto quanto nós, os nossos queridos que morreram, amam e sentem saudades.

Redação do Momento Espírita, com pensamento extraído do verbete Morte, do livro Repositório de sabedoria, v. 2, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

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