quinta-feira, 29 de julho de 2010

Não sou mais macho que nenhum homem


Minha unha quebra, e quero que a minha vida acabe. Bad hair day, e desejo não sair de casa. Roupas, sapatos e maquiagens, e meu ego lá em cima. O delírio que um chocolate faz por mim na TPM, nenhum homem nunca conseguiu cometer. Cozinho e passo - apenas, não lavo, pois manicure é uma vez na semana. Amo rosa, vermelho e roxo. Procuro como uma desbravadora crente, o batom que fixe a cor por mais de duas horas. Me sinto um pinto molhado na chuva, e a detesto. Converso animada e com amigas sobre cores, cortes e estilos de cabelo. Corro de baratas, lagartixas e insetos nojentos. Ver sangue me dá ânsia, se assistir à vômito, vomito junto. Tenho algumas frescuras, e não minto. Fui criada entre contos-de-fadas, princesas felizes no happy end, e amor em primeiro lugar. Aquela vida que nos ensinam de trabalho, dinheiro, família, filhos e tal. Me comovo até com comercial de dia das mães, e choro na maioria dos filmes. Não entendo absolutamente nada sobre canos, válvulas e mecânica - e não faço a menor questão. Fujo de cachorros de rua, minha festa acaba quando meu pé inicia a dor e escuto músicas melosas na fossa, e animadas quando assim me encontro. Gosto de futebol, mas me arrisco apenas em entender o esporte (sou uma negação com os pés, detesto atritos corporais e os uniformes não caem bem em nós damas, convenhamos...). Sou toda letras, literatura romântica e inspiradora. E repugno números. 
Diante desse balaio de feminices, e audaciosa que sou, me arrisco a contradizer a letra famosa de Rita Lee, Pagu: não sou mais macho que nenhum homem. Entre um par de peitos, cintura fina e ancas largas, acredito que nem mesmo que quisesse, alguma masculinidade brotaria em mim. Gostaria de poder trocar eu mesma o pneu do carro, ou dirigir com perfeição; mas prefiro cozinhar o jantar, enquanto ele passa no supermercado. Adoraria conseguir abrir sozinha uma lata de palmito; porém, nada é melhor do que o sorriso dele no rosto, por se sentir útil. Não confundam, não sou fútil; amo roupas, e suas combinações, o que acredito dizer muito sobre uma pessoa, seus sentimentos e personalidade. Estou longe de ser, tampouco, machista. Apenas, acredito que a essência da mulher tem se esvaido; ficado esquecida, enquanto a independência e os salários aumentam - e a feminilidade, caindo por terra. Claro que, obtemos iguais capacidade do que as criaturas do sexo oposto. É evidente, que somos melhores, e até mesmo, mais inteligentes, sensíveis e dinâmicas. Porém, temos que operar tudo isso, e não sair do salto - no mínimo 10, de preferência.  Nada como chorar num filme, e a manga do blusão dele oferecida, para enxugar suas lágrimas infantis. Ser mulher não tem preço. Se sentir feminina, menos ainda. Yin e Yang, não se complementavam por serem tão diferentes, e um masculino, enquanto o outro, era do sexo oposto? Pelo que eu entendo, sim. Dentro de nós, reencontramos essa essência libertadora, guerreira e que quer lutar por um lugar ao Sol. Sou também assim. Vou com garras, vontade, corpo e idealização ao que é de meu interesse. Porém, sem esquecer meu gloss, sutiã e meia-calça.
E essa história de macho, sinceramente, não é pra mim. Mais másculos que eu, estão todos que entre as pernas tem algo que eu não possuo; até mesmo os homossexuais, tão viris e homens, ao confessar sua adversidade ao mundo. Dignos de coragem, são homens sim. Apenas, com escolhas que diferem da minha, da sua, ou da de ninguém. Não sou a favor de ideologia alguma, nessa pauta. Apenas, quero continuar sendo vista como mulher, moleca, boneca; princesa. E deixar a caixa de ferramentas lá em cima, no alto do armário: onde nem eu alcanço.





Camila Paier

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