terça-feira, 4 de maio de 2010

das coisas que eu não falo

Há tantas coisas que eu não falo. Há tantas coisas que você não fala. Há tantas coisas que nós não falamos. Há tantas coisas que ninguém fala. Coisas que ficam somente no pensamento, ecoando la na fundo, martelando. Dizendo: ei, boca! Por que você não compartilha com os outros o que está aqui dentro? Mas a boca nem precisa responder, outro pensamento chega logo em seguida dizendo: PORQUE ELA NÃO PODE FALAR PARA OS OUTROS TUDO QUE NÓS AQUI DE CIMA DIZEMOS. Ah é, verdade. E assim seguimos nós, pensando, pensando, pensando... calados. A propósito, você já tentou parar de pensar? Impossível, eu sei. Até quando você tenta parar de pensar está pensando que não quer pensar. Isso mesmo. Nossa cabeça está sempre ligada. Nunca tem folga. Nunca paramos. Até o dia do descanso-eterno-não-tão-eterno-assim, mas essa é outra história. O que eu estava querendo dizer, é que, são tantos os pensamentos e sentimentos que simplesmente deixamos quietos dentro de nós. Dos melhores até os piores. Da raiva, do ódio, até as declarações de amor mais bonitas. Semana passada percebi o quanto a gente precisa falar, contar, gritar, chorar para alguém o que nos aflige. Botar pra fora, descarregar, jogar o lixo na lixeira. E, melhor ainda, se você falar para a pessoa que causou todo esses sentimentos ruins. E assim, também, com os sentimentos bons... "Eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras não sei dizer..." já dizia a música. Sempre é mais fácil xingar alguém do que dizer o quanto ela é especial. Eu falo isso por mim, acho tão difícil dizer o famoso e agora tão clichê "eu te amo". Tem gente que conhece o indivíduo hoje e amanhã ja se amam pra sempre. As coisas não são assim comigo, não sou uma pessoa explícita. Nem é esse o caso também, o amor não é assim, não acontece deste jeito, o amor surge com a convivência, com os defeitos do outro que a gente nem se importa mais, ou nunca se importou. Mas essa também é outra história já. Voltemos aos pensamentos guardados. Eu escuto mais e falo menos, penso tanto, programo, reviso, tenho medo de ferir com as palavras. Dói tanto ouvir certas coisas. Assim, como não ouvir também dói. Sempre pensei que as palavras não eram tão necessárias, mas agora vejo que, podem não ser necessárias, mas são importantes. Super importantes. E é isso que eu estou querendo escrever aqui, das coisas que eu não falo. Das coisas que eu sinto e não falo. Das coisas que eu penso e não falo. Quem sabe um dia.
Há tantas coisas que eu gostaria de dizer a você, mas eu não sei como.

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